terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Os 6 princípios das influências nas redes sociais

No nosso dia-a-dia é importante conhecer técnicas de influência; dentro das redes sociais, podemos ser vistos, retransmitidos e escutados muito mais amplamente.

“Nada é tão inacreditável que a retórica não possa tornar aceitável”. Marco Túlio Cícero

Por volta de 450 a.C., Péricles comandou a cidade de Atenas ao ápice de sua vida cultural e política.


Atenas tornou-se, durante esse período, a cidade-estado mais notável da Grécia e a democracia aflorou a partir do momento em que o governo era exercido pelo povo que, de uma forma direta, decidia o destino da pólis na Assembléia (Ekklesia).


Porém, além da discriminação, que alijava das decisões políticas a maior parte da população da pólis (mulheres, escravos e estrangeiros), as verdadeiras decisões políticas dependiam de atenienses que atendessem à tradicional frase formulada após a leitura dos projetos levados à ordem do dia nas Assembleias:

“Quem vai pedir a palavra?”


Todo e qualquer cidadão ateniense que estivesse presente poderia fazer uso da palavra. Porém, apenas os que possuíam o dom da oratória, o conhecimento dos assuntos pautados, a habilidade de raciocínio e sabiam utilizar com primazia a voz e os gestos, conseguiam impor seus pontos de vista, através da persuasão. A eloquência, portanto, tornou-se um grande diferencial em Atenas.


O povo era, literalmente, governado pelos oradores!


A verdade é que, seja na Grécia antiga, seja nos dias de hoje, não há quem não goste da ideia de conseguir expor seu ponto de vista de uma maneira cristalina e convincente.


Recentemente, lendo a revista Mente e Cérebro, me deparei com uma matéria interessantíssima, onde um pesquisador da Universidade Estadual do Arizona, falava sobre os seis princípios norteadores da influência
social.


O psicólogo Robert Cialdini focou sua carreira na observação de técnicas de influência e descreveu os seis princípios no seu livro Influence: science and practice.


Depois de ler e interpretar cada um desses princípios à luz das redes sociais, eis o resultado, os seis princípios norteadores da influência nas redes sociais:

1. Reciprocidade


Segundo o autor, tendemos a “nos sentir obrigados a retribuir favores”. Não tem como não lembrar dos RTs do Twitter, dos comentários em nossos blogs ou sites, do link que recebemos ou a citação de nosso nome em algum texto, vídeo ou qualquer conteúdo que tenhamos produzido.


Quase que instintivamente, nos vemos retribuindo esses “favores”. Por isso, se você quer que seu trabalho seja comentado, retuitado ou linkado, estimule essa atitude nos outros através do seu exemplo! #FicaDica

2. Blogs



Costumamos dizer sim às pessoas que gostamos. O que falta para as empresas é estabelecer um relacionamento verdadeiro com o consumidor. Mais no texto Marketing de Relacionamento 2.0. Assim como o relacionamento verdadeiro é a tônica das redes sociais, ouvir é o verbo da era digital. Preste atenção nas necessidades e desejos da sua rede. Se você consegue estabelecer um vínculo afetivo com seus seguidores do Twitter, com sua rede do Facebook, com seus amigos no Orkut, você fatalmente irá colher bons frutos dessas relações e terá muito mais facilidade em aumentar o alcance das suas ideias.

3. Escassez


Damos mais valor às coisas que existem em pequena quantidade ou às quais temos pouco acesso. De acordo com a Wikipedia, “a escassez representa a insuficiência de bens para satizfazer os desejos ilimitados das pessoas”.


Chris Anderson (editor-chefe da revista Wired e autor do best seller A Cauda Longa) afirma em seu mais recente livro Free – O futuro dos preços, que: “(…) Nosso cérebro foi programado para a escassez; centramo-nos naquilo que não tivemos em quantidade suficiente, como tempo e dinheiro. É isso que nos motiva. Se obtivermos o que procuramos, tendemos rapidamente a desconsiderá-lo e encontrar uma nova escassez para buscar. Somos motivados pelo que não temos, e não pelo que temos”.


Como poderíamos aplicar esse princípio às redes sociais?


Com a profusão constante de novas redes de relacionamento e de inúmeras novas funções e aplicativos criados dentro das redes já existentes, um dos bens mais escassos da era da conectividade é a atenção.


Para aumentar o nosso poder de influência, é imprescindível que tenhamos bastante equilíbrio entre “ser solícito” e “não ter tempo para nada”; entre “ser provedor de conteúdo relevante” e “estar o tempo todo presente na timeline alheia”. Assim como um médico bem sucedido precisa recorrer à uma agenda bem feita para atender à demanda de pacientes, guardadas às devidas proporções, já que o timming online é muito diferente, temos que saber dosar a nossa participação nas redes sociais.

4. Evidência Social


Tomamos os outros como exemplo quando não temos certeza do que fazer. Quanto mais conseguimos facilitar as coisas para os integrantes de nossas redes sociais, mais conseguimos ficar em evidência.


Cada vez que descobrimos um aplicativo novo para o Facebook ou até mesmo uma nova rede social, indicamos algum site ou blog que ajudem a solucionar algum problema ou tuitamos sobre alguma informação útil para nossos seguidores, passamos a ser vistos como alguém capaz de ajudar na travessia desse imenso e confuso infomar.


Se o seu trabalho for, realmente, bem feito, vai ter muito internauta se perguntando o que você faria diante de determinada situação, antes de tomar uma decisão. Sempre é bom lembrar que ser exemplo para outras pessoas pode até ser muito legal e tal, mas, ser admirado gera uma grande responsabilidade, pois não são somente os nossos bons exemplos que serão copiados.

5. Autoridade


Valorizamos a opinião de especialistas e dos que estão em uma posição de poder. Estudar muito, ler bastante, observar a realidade à sua volta, frequentar cursos e eventos, fazer pós-graduação, mestrado, cercar-se de pessoas que venham a enriquecer seu conteúdo, tornar-se um especialista, escrever para sites conceituados e blogs especializados… Ufa, não tem vida fácil, não! A dica aqui é 90% de transpiração e 10% de inspiração.


Quer se tornar uma autoridade? Prepare-se para investir boa parte de seu precioso tempo na incessante busca do conhecimento. Sem uma base sólida, grande parte das informações que circulam não passarão de um monte de dados inconsistentes e sem nexo…

6. Comprometimento e Consistência

Gostamos de cumprir nossas promessas e de terminar o que começamos. Quando um internauta passa a frequentar seu blog ou site, seguí-lo no Twitter ou adicioná-lo no Facebook (ou em qualquer outro site de relacionamento), ele torna-se um potencial disseminador de seu trabalho.


Reconheça o seu esforço e a sua dedicação e chame-o para participar, para contribuir com seu trabalho, e você terá um importante aliado na sua jornada online.


O comprometimento gerado por um vínculo consistente não acaba tão cedo. Além de ser muito útil nos momentos de construção de conteúdo ou capital social, um aliado pode ser de fundamental importância em momentos de crise.


Os princípios do Dr. Cialdini foram elaborados com base na evolução e nos remetem à história ancestral da raça humana. No entanto nos deparamos com diversos exemplos atuais em que os princípios norteadores se encaixam perfeitamente. Esses temas aparecem com grande frequência nas redes sociais, nosso objeto de estudo.


No nosso dia-a-dia é importante conhecer técnicas de influência; dentro das redes sociais podemos ser vistos, retransmitidos e escutados muito mais amplamente.


Por causa dessa linhagem evolucionária e da conexão explícita das estratégias com os sistemas de recompensa, todos estamos, de uma maneira ou de outra, sujeitos à persuasão.
Cada linha de texto, seja linear ou multimídia, que temos contato na internet, vai nos influenciar de alguma forma e isso é #Fato.


Podemos ser atingidos pela mensagem (ao ler um post de um blog ou matéria de um site), gostar do conteúdo (ao retuitar no Twitter ou curtir algo no Facebook) ou até nos tornar verdadeiros “evangelizadores” de uma marca, ideia ou autor. (No meu caso vivo falando do Google e indicando vários produtos do Google em minhas oficinas e palestras).


Criticando ou concordando, em maior ou menor intensidade, o certo é que, uma vez que não somos mais agentes passivos, iremos passar o que recebemos adiante.


Se fazemos parte da “cadeia produtiva” da influência e estamos em constante mudança, nada melhor que estarmos preparados para pertencer aos 7% que participam ativamente da internet com comentários e RTs e ainda mais ao 1% de internautas que produzem conteúdo.


Como disse o Dr. Howard Gardner (criador do conceito das inteligências múltiplas), no seu livro Mentes que mudam: “A nossa mente muda – ou porque queremos mudá-la ou porque alguma coisa acontece no mundo real ou em nossa vida mental que justifica uma grande mudança”.
Seja escrevendo textos para sites ou blogs, tuitando ou fazendo upload de imagens ou vídeos. É tempo de exercer nosso poder de persuasão na internet.


Fonte: Pedro Cordier para o Webinsider

domingo, 23 de janeiro de 2011

Entrar nas redes sociais exige planejamento da empresa

Sabe aquele ditado “é dando que se recebe”? Tem tudo a ver com as redes sociais. Só repassando informações relevantes é que se ganha audiência. Levar sua empresa para o mundo das redes sociais requer, antes de tudo, planejamento e monitoramento constante. Compartilhar conteúdo consistente sobre o seu negócio e adotar uma política de uso responsável é essencial. Segundo o Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado (Ibramerc), 65% das empresas já estão presentes nas redes sociais e as mídias de maior destaque entre as empresas são Twitter (84%), YouTube (62%) e Facebook (61%).


“A relação das empresas com a web é muito mais uma questão humana do que tecnológica”, comenta o especialista em marketing em redes sociais Frederico Alecrim, que teve seu blog (www.uaugomais.com.br) eleito o melhor de empreendedorismo pelo prêmio Top Blog e dará um curso sobre o assunto no próximo dia 27 na Câmara Americana de Comércio no Recife (Amcham Recife).


O presidente da IMKT Brasil, agência pernambucana de planejamento estratégico de marketing digital, Fábio Lira, lembra ainda que “um dos pecados cometidos pelas empresas nas mídias sociais é informar apenas promoções e tentar empurrar produtos e serviços para o consumidor sem criar informações relevantes”. Ele diz que, se o desejo é entrar na onda das promoções na web, a divulgação das ofertas deve agregar valor às informações disponibilizadas.


Os canais também podem ser aproveitados pelas empresas para ações de coleta e análise de informações. Na arte ao lado, você encontra dicas de como investir na mídias sociais e ampliar a imagem da sua empresa na internet.


Texto publicado no caderno de economia do Jornal do Commercio em 23.01.2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Como investir em marketing digital em 2011

São Paulo - Seguindo o exemplo da economia, 2010 foi o ano em que a internet bateu recordes no Brasil. O número de internautas no país ultrapassou os 80 milhões, o equivalente à população inteira da Alemanha ou duas vezes a da Argentina. O e-commerce fechou o ano com faturamento de R$ 15 bilhões e 40% de crescimento em relação a 2009, um dos maiores índices já registrados, e os sites de compra coletiva tornaram-se um fenômeno de marketing: 246 deles no ar em menos de um ano, com previsão de faturamento de R$ 300 milhões.
Por sua vez, os investimentos em marketing digital atingiram 10% do orçamento de marketing das empresas, com estimativas de aumento de 90% até 2014. Mas é bem possível que essa previsão se concretize até mesmo antes, tal a importância que essa área vem ganhando, conforme revelam as pesquisas realizadas em 2010:

- 94% dos internautas fazem compras online no Brasil (ComScore).
- Consumidores acessam a internet três vezes em média para pesquisar o produto que pretendem comprar (McKinsey).
- Na nova classe média digital na América Latina, 33% das mulheres preferem internet à TV (Razorfish/Terra).
- 60% dos internautas aprovam que empresas usem redes sociais (Ibope Mídia) para divulgar seus produtos e serviços.
- Para 25% dos usuários, redes sociais ajudam na decisão de compra (Ibope Mídia).
Diante de tais perspectivas, investir em marketing digital em 2011 deixou de ser uma questão de se (vale a pena), quando ou quanto, mas de como. O intuito aqui é apresentar os principais pontos a serem considerados em 2011, principalmente para as empresas de pequeno e médio porte (PMEs). São elas:
e-Commerce: as plataformas de e-commerce são cada vez mais acessíveis, seguras e com vários recursos para administração, controle de estoque, vendas e formas de pagamento. O desafio atual para o sucesso no comércio eletrônico está no atendimento, logística (tanto na entrega quanto na devolução e troca de mercadorias) e segmentação.
Publicidade online: à medida que mais e mais empresas intensificam sua atuação na internet, todos também querem e precisam aparecer para conquistar a atenção dos consumidores e clientes. Diante disso, os investimentos em publicidade online também precisam ser aprimorados. Não se trata necessariamente de aumentar a verba, mas atuar de forma diferenciada para destacar a empresa. Para tanto, é preciso buscar formas criativas de utilizar ferramentas tradicionais, como links patrocinados, otimização e e-mail marketing, e avaliar o investimento em sites de compra coletiva e programa de afiliados.
Redes socias: torna-se quase obrigatório estar presente nas redes e mídias sociais devido a abrangência entre os internautas e crescimento em importância nas decisões de compra. Mas para se obter resultados efetivos é necessário considerar duas variáveis essenciais: seu público-alvo e a forma como ele interage em cada rede social. A partir desta avaliação é possível definir a melhor forma de atuação, que pode ser promover seus produtos, prestar serviços ou atendimento, tirando dúvidas ou prestando esclarecimentos aos consumidores.
Tendências: na internet, as novas tecnologias e tendências surgem a todo o momento. Umas evoluem aos poucos, outras parecem surgir do nada e tornam-se fenômenos rapidamente. Em 2011, a tendência que merece mais atenção é o mobile marketing. Acompanhe a popularização dos smartphones com conexão à internet, do iPad e tablets (computadores sem teclado), que possibilitam novas formas de publicidade, como aplicativos (apps) e games.
Profissionalização: o último e talvez mais importante aspecto a ser considerado é a profissionalização da gestão do marketing digital. Seja por meio de profissionais próprios ou de uma agência, é necessário ter a orientação e suporte especializado para planejar, executar e acompanhar as diversas ações, que além de tudo precisam estar alinhadas e integradas a outras atividades comerciais e de marketing da empresa.

Fonte: Exame (Por: Silvio Tanabe)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

E-Commerce brasileiro movimentou mais de 2 bilhões de reais no Natal

A e-bit anunciou que entre os dias 15 de novembro a 24 de dezembro foram movimentados R$ 2,2 bilhões em vendas de bens de consumo no País, um acréscimo de 40% em relação ao mesmo período de 2009. Em números de pedidos, foram mais de seis milhões, no período que antecedeu o natal.




A categoria que mais vendeu foi Eletrodomésticos, seguida por Informática e Saúde, Beleza e Medicamentos. Livros e Eletrônicos ficaram na quarta e na quinta colocação, respectivamente, completando o ranking de volume de pedidos para o período. O tíquete médio para a data ficou em R$ 370.



O dia que mais vendeu foi 14 de dezembro, quando foram realizados mais de 224 mil pedidos. No ano passado, o auge de vendas ocorreu no dia 16/12, com mais de 150 mil pedidos.



Para Pedro Guasti, diretor geral da e-bit, o natal trouxe bons frutos para o setor, em 2010. "Mais uma vez notamos uma franca evolução do e-commerce no natal. Essa data é uma grande aliada para o setor, contribuindo com grande fatia do faturamento. Por essa razão, em 2010 exaltamos o melhor natal de todos os tempos no comércio eletrônico", declara o executivo.



Fonte: iMasters

domingo, 2 de janeiro de 2011

Os novos donos da web

Pela primeira vez, os investimentos em publicidade na web devem ultrapassar 1 bilhão de reais no Brasil — graças, em grande parte, ao avanço de anunciantes de TV

 
Para os funcionárIos do departamento de marketing da Unilever no Brasil encarregados da estratégia da marca Seda, junho foi um mês particularmente online. Mais do que atualizar suas páginas pessoais no Twitter ou no Facebook (algo encorajado pela empresa), eles estavam atrás do mesmo objetivo: encontrar mulheres insatisfeitas com seus cabelos. Toda vez que deparavam com uma reclamação — fosse sobre fios rebeldes ou cachos sem brilho, verdadeiras catástrofes no universo feminino —, acionavam a agência de publicidade F.biz, que coordena as ações digitais da marca, para oferecer à potencial consumidora amostras grátis de xampus e condicionadores da linha Seda. Durante quatro meses, 770 000 mulheres receberam produtos em casa.


Para uma empresa do porte da Unilever, que chega a investir 400 milhões de reais em publicidade por ano só no Brasil, a iniciativa foi única não apenas pela quantidade de mulheres que alcançou, mas, principalmente, pela forma como foi divulgada: inteiramente pela internet. A distribuição de produtos foi anunciada em sites de revistas femininas, portais de informação e ferramentas de busca como Google e Yahoo! “Nunca tínhamos feito algo parecido”, diz Maria Luisa Lopez, diretora de mídia da Unilever no Brasil. “Conseguimos oferecer nosso produto a quem estava pedindo por ele, em vez de distribuí-lo aleatoriamente nas ruas.” O esforço foi uma resposta a uma exigência da matriz — a determinação foi que os investimentos em mídia digital da companhia dobrassem em 2010. No caso da subsidiária brasileira, isso significou alocar estimados 40 milhões de reais em publicidade na web. Com isso, a fabricante de bens de consumo passou a ocupar a segunda posição entre os maiores anunciantes na internet brasileira (o primeiro é o Bradesco), segundo levantamento do Ibope.


Assim como a Unilever, uma série de grandes empresas vem descobrindo na internet uma forma cada vez mais eficaz de chegar ao consumidor final — um movimento que já começa a mudar a escala da publicidade online no país. Segundo dados da Interactive Advertising Bureau, até o final do ano serão aplicados 1,2 bilhão de reais em propaganda na rede, um aumento de 30% em relação ao ano passado. Tal crescimento faz da internet o quarto maior destino de investimentos publicitários no Brasil, com 5% de participação — superando o rádio. O que chama a atenção, no entanto, é o tipo de empresa que passou a investir nessa categoria de mídia. Se antes o espaço publicitário era essencialmente ocupado por companhias que atuam no comércio eletrônico, hoje ele é disputado também por empresas cujas vendas estão fora do ambiente online. Nos portais Google e Yahoo!, por exemplo, 65% dos anúncios no Brasil vêm de empresas como Procter&Gamble, AmBev e a própria Unilever.


A recente corrida para anunciar na web é explicada, em grande parte, pelo grau de penetração que a internet atingiu no Brasil. De acordo com o IBGE, 68 milhões de brasileiros têm acesso à rede — ou 40% da população. “O importante, para qualquer marca, é estar próxima do seu público alvo”, diz Pedro Earp, diretor de marketing da Skol. Foi justamente ao constatar que 70% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos passavam parte do dia navegando na rede — um índice próximo ao verificado na TV — que os executivos da Skol decidiram destinar 15% de seu orçamento de marketing em 2010 a ações na internet, o maior investimento já feito pela marca no ambiente digital. A principal iniciativa ocorreu no final de novembro, quando a Skol patrocinou a primeira transmissão ao vivo de um show pelo YouTube na América Latina. O evento, que reuniu diversos artistas sertanejos, tornouse o tópico mais comentado do Twitter durante 14 horas daquele dia — e já foi visto 6,2 milhões de vezes na internet.


Há, no entanto, um segundo fator por trás da tendência — este, bem menos óbvio: até agora, o aumento no número de usuários não elevou o preço dos anúncios digitais. “Anunciar na web custava realmente pouco, mas seu alcance era muito restrito. Isso mudou nos últimos anos”, diz Monica Vicenzio, gerente de propaganda da rede de postos de combustível BR Distribuidora. Na maior campanha promocional da empresa neste ano, os clientes deveriam cadastrar na internet os cupons recebidos a cada abastecimento — para, então, concorrer a prêmios em dinheiro. Seria uma promoção absolutamente comum não fosse o fato de o tal sorteio ter sido transmitido ao vivo pela internet. Para divulgar o evento, a BR Distribuidora anunciou no site responsável pela transmissão do sorteio e contratou chamadas no portal MSN. “Fazer o mesmo pela TV teria nos custado 4 milhões de reais a mais”, diz Monica.


Embora tenha se tornado uma mídia popular, o maior trunfo da internet não está só na divulgação de anúncios, mas na possibilidade de oferecer às marcas uma chance de conhecer melhor seus consumidores. No final de novembro, a subsidiária brasileira da americana Procter&Gam ble recorreu à web para testar o interesse dos consumidores no lançamento da linha de cremes faciais Olay, bastante popular nos Estados Unidos. Por meio de uma página no Facebook, a P&G criou uma lista de espera para quem quisesse receber o produto com antecedência. Em duas semanas, 6 000 pessoas se cadastraram. “Até o ano passado, não possuíamos sequer uma estratégia de link patrocinado, que é o básico do básico na rede”, diz Marina Mizumoto, executiva de marketing da Procter no Brasil.


Apesar do avanço recente, a dimensão da publicidade digital no Brasil ainda está longe da encontrada em mercados mais maduros. Na Inglaterra, o mercado de publicidade online mais desenvolvido do mundo, a web já responde por 30% dos investimentos. “No Brasil, muita gente ainda acha que a TV é o único meio com credibilidade para atingir as massas, o que não é verdade”, diz Joe Crump, vicepresidente de planejamento da agência de publicidade Razorfish, com sede em Nova York. “Só agora as empresas começam a perceber o poder da rede.”



Fonte: Exame